Hipertensão Infantil - Assessoria Nutricional

25/04/2006 | « voltar

Além de doenças como diabetes do tipo 2, cardiopatia, problemas pulmonares e até mesmo câncer de estômago e intestino, a obesidade infantil causa a hipertensão arterial, uma moléstia considerada típica dos idosos. Segundo dados do Instituto da Criança (IC) do Hospital de Clínicas (HC) de São Paulo, uma em cada seis crianças de até 10 anos está com peso pelo menos 20% acima do ideal. Nos anos 80, apenas 3% eram obesas.

É por meio da definição de pressão arterial que entendemos a hipertensão ou pressão alta. A pressão arterial é a força que o fluxo sangüíneo exerce nas artérias. Por meio de sua mensuração, dois valores são registrados: o maior, quando o coração se contrai bombeando o sangue (pressão sistólica), e o inferior, quando o coração relaxa entre duas batidas cardíacas (pressão diastólica). A hipertensão ocorre quando a pressão sistólica em repouso é superior a 140mmHg ou quando a pressão diastólica em repouso é superior a 90mmHg ou ambos.

A pressão alta tem um forte componente genético, mas que só é deflagrado em idades precoces por influência do ambiente. A dificuldade em detectar a pressão alta é que no início ela não apresenta sintomas. Em geral, eles só aparecem quando algum órgão já está desequilibrado. Os bebês podem convulsionar, ter insuficiência cardíaca, perda de peso, além de ficarem irritados e chorões. Já a criança mais velha tem muitas dores de cabeça e ficam mais irritadas.

A hipertensão arterial na criança, assim como no adulto, pode ser primária ou secundária. A secundária é quando existe uma causa cardíaca ou extracardíaca que provoque a elevação da pressão arterial, sendo as mais freqüentes as renovasculares (comprometimento dos rins e de vasos arteriais). Além disso, ocorre, sobretudo em recém-nascidos, lactentes e pré-escolares.
A hipertensão primária é considerada após ser descartada qualquer causa responsável pela mesma, e representa a maioria dos casos em adolescentes.

Os fatores de risco da patologia são os mesmos que em adultos. Entre eles, destacam-se: a vida sedentária, a obesidade, hábitos alimentares inadequados (dietas industrializadas, ricas em gorduras e sal pobre em potássio), a ingestão precoce de álcool, e histórico familiar da doença.
É na infância que o pediatra pode exercer uma medicina efetivamente preventiva. Portanto, cabe ao médico a detecção precoce do processo para que possa realizar a investigação devida estabelecendo-se o tratamento adequado, caso seja necessário.

É importante que os pais peçam ao pediatra que façam a medida da pressão arterial, pelo menos anualmente, a partir dos 3 anos de idade, que é quando se tem uma normatização mais clara. Mas o ideal é que, em toda a situação que a criança necessite de atendimento à saúde, ela tenha a sua pressão arterial medida, da mesma forma como ela é examinada, tendo seu peso e sua altura medidos, ou seja, a medida da pressão arterial deveria ser rotineira.

A terapia pode ser de dois tipos: a não medicamentosa e a medicamentosa. A primeira baseia-se em dois componentes principais: controle de peso, com modificação da dieta e exercícios físicos. O objetivo da intervenção dietética é diminuir o peso corporal, o sal, embutidos, enlatados, a gordura, os açúcares e aumentar a ingestão de fibras. A redução e manutenção do peso ideal é frequentemente muito difícil, o auxílio de uma nutricionista é importante. Essas medidas não só previnem, como também são capazes de corrigir discretas alterações da pressão, situação mais comum nessa faixa etária. Se a criança permanece com essa alteração, ou se ela é mais intensa ou mais grave, deverá seguir um tratamento medicamentoso.

Equipe CliNutre

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